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TDAH

Updated: Jul 9, 2025

Você já se sentiu constantemente distraído, como se sua atenção pulasse de uma coisa pra outra sem parar? Já ouviu que é “preguiça” ou “falta de foco”, mas lá no fundo sabe que é mais profundo do que isso? Hoje, fala-se em TDAH — Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade — um diagnóstico psiquiátrico que aponta um sintoma maior que sentir-se uma pessoa “desligada” ou “agitada demais”.

Nos últimos tempos, fala-se de TDAH não apenas em consultórios psiquiátricos, mas nas redes sociais, nas escolas, nos ambientes de trabalho, e até mesmo em conversas informais. É cada vez mais comum ouvir adultos dizendo: “Acho que sempre tive TDAH e só agora percebi”, ou “Talvez isso explique tanta coisa na minha vida”.

De fato, há algo de reconfortante em dar nome ao que antes parecia apenas uma sucessão de falhas pessoais: a dificuldade de concentração, a sensação de estar sempre distraído, a inquietação constante, a impulsividade que atrapalha decisões cotidianas. O diagnóstico pode trazer alívio. Mas será que ele responde a tudo?

Na psicanálise, acolhemos o diagnóstico — mas não nos detemos nele. O que nos interessa é o sujeito por trás do rótulo. O que se revela, naquela pessoa em particular, ao não conseguir prestar atenção? O que isso diz dela? O que está em jogo quando a mente parece fugir do presente, ou quando o corpo não consegue aquietar-se?

O TDAH, sob o olhar psicanalítico, não é apenas um “sintoma” a ser corrigido. É um modo singular de se posicionar diante do mundo, que carrega uma história, conflitos, tentativas de adaptação, desejos e defesas. A escuta analítica permite que esse funcionamento ganhe um lugar de fala — não para reforçar um ideal de normalidade, mas para que o sujeito possa se ouvir, se conhecer e, eventualmente, construir outras formas de lidar com sua experiência.

Talvez a desatenção esteja dizendo algo sobre o excesso de exigência. Talvez a agitação seja uma tentativa de escapar do vazio. Talvez a impulsividade seja uma forma de calar a dúvida. Não há respostas prontas. Mas há perguntas que só podem emergir num espaço onde o sintoma não é silenciado — e sim escutado.

Na psicanálise, não buscamos controlar o sintoma, mas compreendê-lo. E, nesse processo, algo se transforma. Porque às vezes, o que aparece como desordem é apenas um grito ainda sem palavras — esperando por escuta.

 
 
 

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